terça-feira, 23 de março de 2010

A arte perdida de xingar no trânsito

mr_wheeler

Tem tempo que eu não xingo ninguém no trânsito. Sinto falta. Infelizmente, hoje em dia a violência torna isso uma atividade perigosa. Como 2 em cada 3 pessoas são marginais (estatística séria do BIS), é óbvio que só se deve andar de vidro fechado. Então, além de a tarefa de abrir o vidro (como se abre vidro elétrico correndo?) atrapalhar todo o timing e tirar o impacto da xingada, o risco de vc ser morto ou espancado é muito grande.
É uma pena… Na minha época as pessoas podiam xingar e serem xingadas em paz e harmonia. Bons tempos.

Como o engarrafamento por aqui (Sampa) é muito escroto, os motoristas acabam fazendo menos barbeiragem no trânsito.
Isso não quer dizer que paulistas dirigem melhor que cariocas. O fato é que paulistas têm menos espaço para fazerem merda (PRINCIPALMENTE os motoristas de ônibus, que eu considero o pior problema do trânsito do Rio. Aqui em SP eles ficam confinados à faixa de ônibus, e a gente nem toma conhecimento. Menos mal).

Sabe aquela piada:
“Por que a galinha atrevessou a Rua?
R: Pra chegar do outro lado”?

É mais ou menos por aí. Se vc se pergunta “por que carioca sai costurando e trocando de pista?”, a resposta é “porque pode”.
O paulista bem que gostaria mas, se tentar fazer isso, vai passar por cima de pelo menos uns 3 motoboys, ser atacado por uma horda deles e, na sequência, ser linchado. Então aqui em SP, devido à pena informal de morte, não se troca de pista. Até mesmo quando vc precisa, muitas vezes não tem como. Se vc dá seta, os motoboys saem de seus caminhos só para te atrapalhar.

Uma vez eu levei uma fechada absurda de um exemplar dessa sub espécie e, de dentro do carro, com a janela fechada, ousei reclamar. O bandido arrombado viu e, se sentindo ofendido com o fato de eu não ter tomado na bunda quieta mesmo sem ter feito nada errado, quebrou meu espelho. Assim, just because. O meu consolo é que a esta altura, provavelmente ele ja virou paçoca em algum asfalto por aí.

But I digress. Voltando:

Então, vc não pode xingar motoboys e ter esperança de viver pra ver o dia seguinte. E pelos motivos supracitados, o resto do trânsito de São Paulo é super boring. Um bando de gente que também não sabe dirigir, andando em primeira e segunda, e que adora parar em sinal amarelo e ficar que nem idiota esperando ele fechar (ódio, ódio MORTAL).

Sim, ainda tem muita merda sendo feita. Cruzamentos fechados, gente que enfia a seta no cu e esquece de tirar na hora de sinalizar, murrinhas que conseguem andar mais devagar que o engarrafamento e atrapalhar mais ainda o fluxo, etc.
Eu até podia xingar esses (principalmente o tipo parador-compulsivo-de-sinal-amarelo). Mas que graça tem? Vou xingar e depois ter que ficar parada, olhando pra cara dos paspalhos. Frustrante.

en_passant
Legal era xingar en passant, escolher palavras sonoras e de sílabas curtas, acertando o timing e deixando os insultos traçando o caminho no vento, enquanto via, de vez em quando, um dedo em riste pelo retrovisor.

orangotango_dedo

As pessoas não interagem mais, sabe.

domingo, 14 de março de 2010

Show = estresse

Hoje o twitter tava fervendo com o show do Guns aqui em São Paulo. Fiquei vendo as meninas de 20 e poucos anos fazendo estardalhaço por causa do Axl, e pensei “poxa, que legal, devia ter ido também, queria estar lá”. Pra imediatamente depois pensar “não, mentira. Não queria não”.

E não queria mesmo.

São vários os motivos, na verdade.

Especificamente no caso do Guns, primeiro: porra, Chinese Democracy?? Sifudê, né? Foda é Appetite, Lies… E uma “meia dúzia de 3” músicas dos Use Your Illusion. O resto é encheção de linguiça.
Segundo que o Guns não é mais o Guns. Tem até um guitarrista EMO, caralho (Slash deve dar risada). E o Axl tá parecendo uma tia velha plastificada. Se ele estivesse só velho, careca e gordo, eu ainda podia relevar. Mas Repuxado e com trancinha rasta fica foda. Mas acho graça das menininhas tendo ataque pelo que sobrou do cara lindão que ele era (homens, não façam plástica please. Envelheçam como o Clint Eastwood, não como o Cauby Peixoto, ok?).

Mas, indo mais longe, o fato é que show é uma merda. Sempre. QUALQUER show. Mesmo quando é bom, é ruim:

  • Não adianta, pode ser o lugar mais moderno e cheio de frescura, música ao vivo SUCKS. Pra começar, o som é SEMPRE um cu. E quando a banda não resolve mudar a porra da música que vc gosta, pelo menos metade da música quem canta é o público (vc tá pagando pra ouvir quem cantar?). E normalmente tem uns 30% de músicas merdas enfiadas no meio da seleção.
  • Vc vai se aborrecer com alguém. Batata. Brasileiro é mal educado, mesmo os ricos. Acesso a lugares caros não te garantem nada, a não ser o fato de que vc vai gastar mais dinheiro. Nego vai ficar em pé na sua frente, ou pegar seu lugar, o guardador vai ameaçar arranhar seu carro, alguém vai fumar na sua cara, talvez te roubem alguma coisa. Prepare-se.
  • Se o show é de pista, vc não vai ter o que beber, não vai ter onde mijar, não vai ver nada (haha, vai ter que ir ao show pra ficar olhando o telão), vai rolar uma briga do seu lado, vão vomitar do seu lado e COM CERTEZA vão te roubar alguma coisa. Prepare-se.

Isso dito, existe algo de estar no show que é legal. Tipos… É tudo uma merda (vc estaria melhor em casa vendo o show pela TV ou mesmo ouvindo um CD), mas é legal.
Talvez seja apenas aquela coisa de poder dizer “eu fui no show do Fulano” pros seus filhos/netos/amigos/wahetever.
E, depois que passa, vc não lembra que foi uma merda. Vc guarda uma lembrança editada e imaginária de que foi legal pra caralho – UHUL! - se acha super rocker e coisa e tal.

Então, é questão de pesar os prós e os contras e ver o que é mais importante pra vc. Pra mim, um dia o estresse já valeu a pena de guardar uma lembrança bacana (que eu sei que é auto ilusão). Hoje eu sinceramente não tenho mais saco pique pra essas coisas. Foda-se o Axl (ou quem quer que seja) e a aporrinhação de ter que encarar multidão pra ouvir som meia boca.

Como a graça de ir aos shows é poder se gabar, eis minha listinha de presença:

  • Guns N’ Roses (Rock in Rio II. Teve confusão do lado de dentro do estádio e eu quase apanhei da polícia montada no primeiro dia de show, não consegui entrar. Tive que voltar no segundo dia, e aí roubaram minha carteira)
  • Madonna (passei uma sede do cacete e não vi nada. E a seleção de músicas foi uma merda)
  • Santana (as músicas são bacanas, mas… Ao vivo, né. Blé)
  • INXS (assisti porque veio depois do Santana)
  • Paul McCartney (show mais sem graça ever)
  • Skid Row (na Apoteose. Estresse pra chegar, estacionar, lugares com visibilidade de merda. Mas foi bacana)
  • Extreme (idem ao Skid Row)
  • BB King (ok)
  • Little Richard (No teatro de Remo da Lagoa, som tava uma tremenda merda. Mas divertido)
  • Chuck Berry (idem)
  • Creedence Clearwater Revival (2 vacas barraqueiras que compraram assentos mais baratinhos na parte de trás da mesa na fila de baixo botaram a cadeira na frente da minha, primeira da mesa na fila de cima, e atrapalharam minha visão. O pessoal da casa de show ligou o foda-se e ficou por isso mesmo).
  • RPM (rs) (achei bacana, mas eu tinha uns 14 anos)
  • Blitz (2X) (divertido)
  • Lobão (civilizado. Mas tava vazio)
  • Barão (ok)
  • Ney Matogrosso (eu era pequena, só lembro dele de bunda de fora, hahaha)
  • Fernanda Abreu (idem ao Skid Row)
  • Caetano (uma merda, só músicas desconhecidas e toscas. Saí puta da vida)
  • Benjor (2X) (simplesmente THE BEST. Melhor show de todos, desde a seleção de músicas, até o som e a simpatia e performance no palco)

Fiz esse post porque tinha colocado a listinha no twitter, depois de uma amiga colocar a dela. Achei um registro legal (tive que pensar pra lembrar de tudo, e ainda acho que esqueci alguma coisa), então vou deixar arquivado aqui.

Além disso, quando eu tiver vontade de ir a um show, é uma boa idéia ter algo pra ler e fazer a vontade passar.

Pra ilustrar, fica o registro de Sweet Child O’ Mine do show do Guns em Brasilia. Triste…

sábado, 6 de março de 2010

Well well well

As pessoas têm certas necessidades que eu acho muito esquisitas. Até posso entender a curiosidade, a vontade de caçar fofocas, etc. É mesquinho, mas é normal.
Mas a necessidade de fazer contato – mesmo que indireto – e de se fazer notar por alguém que te despreza e nem lembra que vc existe?

O que será que leva alguém a precisar disso? Culpa, consicência pesada? Busca por absolvição?
Será que ouvir de um completo desconhecido (ou um antigo conhecido) um “Ahm… Oi, tudo bem?” motivado puramente por educação, faz a pessoa achar que o que ela fez talvez não tenha sido tão ruim assim?
Deve ser muito insatisfatório ter que buscar essa expiação em pequenos contatos insignificantes com estranhos.

Por mais que a pessoa minta para si mesma, no fundo ela SABE que isso não absolve nada, não acalma consciência nenhuma, não reescreve a história. Ela vai sempre sentir aquela dorzinha e, de vez em quando, quando a dorzinha cutucar um pouco mais, ela vai tentar de novo. E vai ganhar uma mentirinha branca, um “como vai” polido, e nesse dia talvez ela durma melhor. Até começar tudo de novo…

Certas rupturas são mesmo pra SEMPRE. Só quem é maduro consegue aceitar esse fato e viver bem com ele. E só quem é honrado consegue cumprir suas obrigações e manter sua palavra, mesmo quando isso não é agradável.
Quem não amadurece, passa a vida mentindo pra si mesmo e buscando atalhos milagrosos. Tão triste quanto verdadeiro.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Da etiqueta das orgias romanas

quadro

Viver em sociedade é relativamente complicado/trabalhoso, certo? Vc tem que seguir certas regras, ser um tanto hipócrita, político, etc. Tem que ser solícito com o chefe, simpático com os vizinhos, não descontar o mau humor na família… Essas coisas.

Daí que outro dia estava eu aqui pensando (pensamentos cretinos SEMPRE me ocorrem durante o banho): como era essa questão da etiqueta durante as orgias romanas???? Puta troço delicado, hein?

Quando um ou outro punheteiro sonhador lê a palavra “orgia”, já se anima todo, acha o maior barato e se imagina no meio de 5 gostosas dividindo seu membro a tapas. Mas a verdade (imagino eu) é que o troço deve ser um pouco mais complicado.

Vamos considerar, para fins de argumentação, que para os membros da alta sociedade romana as orgias fossem uma atividade social corriqueira (eu vi Calígula e era assim, ok?).
É uma reuniãozinha íntima, mas nada do que se envergonhar – afinal, todo mundo faz. Vc chama os amigos, uns colegas de trabalho, de repente até uns primos. Beleza.

Obviamente, é preciso ter as instalações necessárias. Galera vai ter que transar em camas, sofás, divãs, colchões, ou algo assim. Mesmo que seja no chão (aí já começou a ficar meio esculhambado, mas tudo bem), são necessários no mínimo uns lençóis bacanas, né? E precisa ter espaço.
E comida. Porque vou te contar, esse povo comia, viu. Mesmo em meio à fudelança, tinha que rolar um banquete e tals.

mesa

Agora imagina a pobre da anfitriã romana, coitada, cuidando dos preparativos da suruba. Tem que mandar matar os leitões e comprar frutas frescas, polir a prataria, supervisionar a arrumação do cômodo com tapeçarias e lençois limpos e fartos, chamar escravos extras, dar um briefing pra cada um sobre seus afazeres (quem vai servir comida, quem vai abanar os convidados, etc), providenciar um lugar pros convidados deixarem as roupas e sapatos, etc. São muitos detalhes!

Na minha imaginação, a orgia era uma reuniãozinha normal, saca? Mais ou menos como… Sei lá, um poker na casa de amigos. Fico imaginando o marido chegando em casa e dizendo:
_  Querida, chamei um pessoal pra vir aqui amanhã, tudo bem?
E a esposa surtando:
_ Mas de novo? Por que é SEMPRE aqui em casa? E vc me avisa em cima da hora, Lucius Flavius? Sabe que eu tenho que bater os tapetes, mandar as crianças pra casa da mamãe… E eu acabei de dar o fim de semana de folga pro eunuco! Podia me avisar com antecedência, né?
Enfim.

Daí eu pulo pra parte dos convidados chegando, socializando, até a farra começar. As apresentações, aquelas conversas de quem não se conhece e fica só fazendo sala, sabe?
_ Vc é amigo do Fulano há muito tempo?
_ Ah sim, nós éramos da equipe de Luta Romana no colégio. E vc?
_ Nos conhecemos outro dia, em uma orgia na casa da Fulana.
_ Pô, legal!
_ …

Imagino também aquela coisa típica de começo de festa… Sabe quando todo mundo fica esperando pra alguém começar a dançar, porque ninguém quer ser o primeiro? Então. Meio constrangedor e tal. Até que alguém finalmente começa a sacanagem, e o resto vai atrás, né.

Uma vez começado o bacanal, a coisa fica ainda mais complicada. Pensa só no mundo de coisas que podem dar errado:

1. Tá todo mundo lá, maior zona e tal, mó galera se deu bem com as vagabundas ninfetas bonitas. Aí chega a dona da casa que é a maior baranga, tirando o carinha pra… Er… Copular. O cara vai fazer o quê? Dizer “valeu, tia, mas eu tô na de fora”? Porra, é muita desfeita! Tá fudido, vai ter que encarar, não vai ter jeito.

2. E se alguém broxar lá no meio? Humilhação pública. Não é algo que vá ficar entre quatro paredes, todo mundo vai saber quem é o broxa. Lamentável, e provavelmente o fim da vida social surubística do indivíduo.

3. Caras de pinto pequeno provavelmente não participavam de bacanais. Ou se privavam desse prazer coletivo, ou provavelmente tinham que aturar as gozações, apelidos e comparações. Dignidade zero.

4. Há ainda a questão da higiene. A gente pode até supor que bom senso seria o suficiente para evitar situações desagradáveis, mas vai saber, né. Nem vou elaborar o tema porque… Ew.

E, por último, resta a tarefa de arrumar a casa, né? Todo mundo que imagina a orgia, acha que no final é só botar a roupa e ir pra casa.
Mas e pros anfitriões, como fica? Resta botar ordem na zona, coitados. Mandar lavar lençóis (ew²), toalhas, guardar as sobras… Sendo que naquela época não tinha lava-roupas nem geladeira.

Não devia ser mole não.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A tal da barba por fazer


Moda, estilo, tendência e coisa e tal. Tá, eu entendo. Eu sou designer, amo tudo que é visual, valorizo a estética.
E sim, claro que eu sofro influência do padrão de beleza da minha geração. Por mais babaca que possa ser às vezes (tipos, mulher sem cintura é feio, mas hoje nego paga pau, então tá), muito dele acaba entranhando no nosso "gosto" e a gente nem percebe.

Pra quem é mais novo, esse processo é mais invasivo. Acho que a garotada acaba com o cérebro meio lavado mesmo, sei lá. Quando vc é formado no meio desse padrão, fica difícil sair.

Mas quando eu era mais nova (sentiram que eu já tô numa de "na minha época..."), não tinha essa de globalização, internet, silicone, lipo, TV a cabo, etc. Cada povo tinha um padrão de beleza próprio, que era mais ou menos condizente com suas características étnicas, o modo de vida local, e pá. E, quando aparecia alguma beleza fora do padrão, ela era admirada justamente por isso, pelo aspecto "exótico".
Tinha menina bonita que era peituda, e menina bonita despeitada. E a galera que gostava tanto de uma coisa quanto de outra. Ou das duas, em alguns casos. Hoje, ou a menina é peituda ou ela é uma pária e pode muito bem se matar.

Bom, toda essa intro ranzinza e saudosista é pra dizer o seguinte: tem modinhas que me irritam. Muito.
[Nota: quando eu falo que certas coisas me irritam MUITO (exemplo: Faustão falando "ô loco, meu, brincadeira"), eu não tô zoando. Tenho certeza de que altera até minha pressão, e se alguém me der uma arma nessa hora eu mato alguma coisa. Qualquer coisa.]

Enfim, voltando: certas modinhas me irritam. Uma delas é a tal da barba por fazer.

Tá, não me levem a mal. De vez em quando é legal, né. O cara fica com uma puta cara de macho provedor e tal, uma coisa assim meio tenho-muito-hormônio-sou-viril-meio-grosso-e-te-pego-na-unha. Às vezes eu curto.

Mas cara, tem que ter bom senso. Se exagerar, fica caricato. E aí passa a impressão só de porquice e desleixo mesmo. Ou o contrário: a impressão de que o cara é tão viadinho metrossexual que fica todo dia aparando aquela merda com um aparelhinho especial que deixa sempre na mesma altura. Patético.

Daí que eu reparo nesses detalhes irritantes, que acabam atrapalhando (mesmo que levemente) algumas coisas que eu gosto.

Por exemplo: LOST.
Alguém me explica COMO galère que tá há sei lá quantos meses numa porra de ilha fica ETERNAMENTE com 2mm de barba??
Eu entenderia se o cara ficasse barbudo. Ou se o cara às vezes fizesse a barba, e às vezes ficasse com preguiça e deixasse crescer um pouco.
Mas maluco, a barba tá sempre I-G-U-A-L. Foda isso.

Aí que nas férias eu fui ver Sherlock Holmes. Sim, eu já sabia que ia ser uma palhaçada releitura. Já sabia que o Sherlock seria uma mistura de Dr. House com Chuck Norris. Já tava com pena do Conan Doyle. Mas... Nhé. What the hell. Fui assim mesmo.


Sentiram o cabelo trabalhado na mousse?


Bom, o filme é muito fraquinho. O diretor, claro, cuspiu no túmulo do autor e chamou a mãe dele de coxinha. E eu adoro o Downey Jr, mas ele tá cagado nesse papel. Bem ruinzinho mesmo.

A merda é que, mesmo esperando um personagem mais pitboy e sarcasticuzinho (heh), eu achei que iam respeitar pelo menos os figurinos/padrões da época. E quando eu olho, tá lá o feladaputa de barba por fazer. O FILME TODO, CARALHO.
Sacanagem.


Amigo, o Sherlock Holmes - que nos livros era um cara metódico, asseado, formal, fleumático (resumindo: inglês) - do filme anda todo mulambento.
Acorda sujo e vai com a camisa dormida e babada pra rua, usa roupa amassada/manchada, não penteia o cabelo. Quase dá pra sentir o cheiro de bunda mal lavada da cueca freada que ele deve estar usando pelo segundo dia seguido, do avesso. Com certeza é o tipo de pessoa que não escova os dentes. E (surprise, surprise!) nunca - NUNCA! - se barbeia.

No século XIX, um cara andando assim na rua com certeza tomaria uns cascudos da polícia, ou uma cusparada pela janela do primeiro upper-class twit que passasse por ele de carruagem.
Imagina se alguém um dia ia parar para sequer ouvir o que ele tinha a dizer. Ainda mais levar a sério. Pfff.


Ou seja: de um nerd/gênio inglês, o Sherlock Holmes virou um babacão americano mal humorado e marrentinho de higiene pessoal duvidosa.

Maldito padrão. Maldita barba por fazer.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

True Blood

Tô vendo True Blood. A série já é old news, todo mundo já viu, mas eu só comecei a ver agora. Heh.

Tem coisas legais, e tem coisas irritantes.

ATÓRON o Lafayette. É a melhor coisa da série, com certeza. Acho o visual dele demais, com aqueles lenços loucos na cabeça, a maquiagem... Toda a atitude. Se aquele ator não é gay, eu nem sei COMO ele faz isso. Manda muito bem.
O Eric também é legal. Adoro ver que ele tem pelo menos uns 20 cm a mais que todo mundo, hahaha. E o cara tem moral. Faz o Bill parecer um cuzão.

Aquela Maryanne, no entanto, podia ir pro inferno e levar a Tara e o Jason junto. Blergh. Mulher sem graça, garota absurdamente chata e moleque burro e boring. Caguei pra barriga tanquinho dele.
Eu achava o Sam bonitinho, mas confesso que depois desse lance de shifter ele virou meio loser, na minha opinião. Tipo, quem respeita um cara que vira cachorro e fica sem calças toda hora? Pffff.

A trilha sonora merece atenção. E a abertura é o máximo. Vejo em DVD, e toda vez me pego assistindo, em vez de adiantar. Aquelas cenas meio white trash, etc... Bem a imagem que eu faço da Louisiana redneck mesmo, com aqueles pântanos, as pessoas bizarras... Estereótipo é pouco. rs


terça-feira, 27 de outubro de 2009

Professores ao longo da vida - Parte 2 - Treva


Pois é, né. Pra cada profissional competente no mundo, tem ZILHÕES de imbecis completamente desprovidos de bom senso, capacidade, etc. Então é óbvio que os professores não seriam exceção.

Pensa comigo: é preciso ser gênio pra trabalhar com crianças pequenas, em idade de alfabetização? É preciso ter prêmio Nobel? Ter doutorado, ser membro da MENSA? Não, certo?
O que é preciso, então? Um mínimo de preparo, paciência e sensibilidade.

Criança é suscetível, é influenciável. Tá em formação, tanto de caráter quanto de personalidade. Vê no professor o exemplo, uma figura de autoridade e referência. Por isso, é preciso ter noção do que se está fazendo; um pouco de psicologia infantil vai bem, obrigada.

Agora imagine a seguinte situação: uma menina de 6 anos. Recém alfabetizada, ainda se familiarizando com as letras, escrita, etc.
Essa criança, um dia, é deixada no colégio com alguns minutos de atraso. Chega à sala, e a aula já havia começado. Ou assim ela pensava.
Ao entrar na sala, nota o tom raivoso na voz elevada da professora. Todos os colegas sentados no chão, olhando para baixo, em silêncio total. Ela ouve o trecho final de um discurso que é uma mega bronca, da qual não sabe o motivo. A professora grita. Muito. Xinga a classe. Diz estar decepcionada. Diz estar CHO-CA-DA. Aponta o dedo com expressão desaprovadora para a cara das crianças, apavoradas e imóveis, humilhadas.
Ela não sabe o que está acontecendo mas, instintivamente, sabe que se fizer alguma pergunta vai ser pior. Se senta com os colegas e se encolhe, confusa, agoniada, esperando passar despercebida. Enquanto isso, a aflição de levar uma bronca sem saber o porquê é quase sufocante.

O esporro dura intermináveis minutos. Ela tenta captar, nas palavras cuspidas com violência, o motivo de tanta raiva da tia Tânia. Não consegue, nada está claro. São só agressões e acusações genéricas, declarações de insatisfação e decepção profundas por parte da tia. Mas nada lhe indica O QUE ACONTECEU.
Parece um sonho ruim, esquisito, daqueles que vc está num lugar, e de repente o lugar e as pessoas mudam de uma hora pra outra, a rua vira um labirinto. Nada ali fazia sentido, aquela não parecia sua professora, ela não conhecia ninguém ali, a bronca não podia ser pra ela. Não era possível!

Logo chega uma outra coleguinha, também atrasada. Ela sente uma ponta de conforto. Pelo menos alguém pra sentar do lado dela, com quem compartilhar, ainda que em silêncio, o absurdo do momento. Não está mais sozinha.
Mas aí acontece mais uma coisa bizarra, o sonho fica ainda mais irreal: a professora para a briga. Dá bom dia pra coleguinha:
_ Oi, Aline.
A Aline, com cara assustada, e de forma cautelosa, responde:
_ Oi, tia Tânia.
E a Aline não foi sentar do lado da menina que, confusa, assistia a cena sem acreditar. A Aline ganhou convite para ir se sentar ao lado da tia Tânia. Por quê? Porque, segundo a tia Tânia, a Aline havia "chegado atrasada" e, portanto, não sabia o que acontecia. Que por isso, era injusto que a Aline levasse bronca com o "resto das crianças".

A garota sente um aperto no peito. Quer gritar "eu também cheguei atrasada!!! Cheguei agorinha mesmo, como vc não viu???". Mas, novamente, o instinto de preservação avisa que não é uma boa idéia. Ela afunda ainda mais. E agora, além da agonia de estar perdida, ela se sente monstruosamente injustiçada.

Acaba a bronca, todos recebem ordens de ir para as suas mesas. A professora assistente distribui papéis mimiografados. Uma folha de exercícios, que dizia o seguinte: "Divida as palavras em sílabas". Embaixo das palavras, alguns quadradinhos.
A menina pergunta para a assistente como deve fazer o trabalho. Aquilo era novidade, nunca havia sido mencionado em sala de aula. Mas a assistente balança a cabeça e passa direto. Hesita um segundo, olha pra tia Tânia, que estava de costas, volta e cochicha para a menina:
_Não posso explicar, desculpe. _ A expressão em seu rosto é de pena.

Consolada pela expressão de simpatia no rosto da assistente, a menina tenta desvendar o enigma do trabalho. BOLA era a palavra. 2 quadradinhos. Pareceu lógico que ela dividisse a palavra e escrevesse BO num quadrado, e LA no outro. O que quer que as tais "sílabas" fossem. E assim ela fez, seguindo a mesma lógica com o resto das palavras.
O exercício amenizou o nervosismo, desviou a atenção do mal estar.

Durante o tempo que tiveram para fazer o exercício, Aline também chamou a assistente. Tinha dúvidas, claro, como todos os seus colegas. Tia Tânia se apressou em vir ajudá-la, e era delicada e toda sorrisos enquanto o fazia. Como que para deixar claro para o resto da classe que a Aline não era considerada parte da mesma escória.

Algum tempo depois, a tia Tânia perguntou se todos haviam terminado. Ninguém queria realmente falar, mas ficou claro que, quem não havia terminado, não ia conseguir fazer mais nada.
Então a tia Tânia parou na primeira mesa, analisou o trabalho de um colega. Andou mais um pouco, parou na mesa da menina. Provavelmente uma coincidência. Pegou o trabalho na mão, perguntou à menina se ela achava que tinha acertado o exercício. A menina respondeu que achava que sim.
E então a tia Tânia, pra mostrar quem é que mandava, amassou o trabalho na frente da menina, sacudiu o papel amassado diante de toda a turma e, de forma teatral, rasgou-o em 2, enquanto gritava que ninguém ali sabia nada. E saiu rasgando o trabalho de outras crianças em seguida, equanto a classe observava, em pânico.

Dirigiu-se então ao quadro negro avisando que ia, enfim, ensinar pela primeira vez a matéria que havia sido cobrada no exercício. Depois de explicar, refez o exercício passado anteriormente.
A menina constatou que havia acertado todas as questões. Se encheu de coragem e foi perguntar porque o trabalho havia sido rasgado, se estava certo. Como resposta, recebeu um "ninguém acertou, eu não havia ensinado ainda a fazer. Vá se sentar".
E ela, tremendo (dessa vez de raiva), foi.

O dia passou-se assim. Todos foram punidos, sem direito a recreio. Menos a Aline. Ninguém pôde brincar com os brinquedos disponíveis na sala, nem ler os livros do cantinho da leitura. Exceto a Aline.

No fim do dia, a menina voltou pra casa desrespeitada, humilhada, avacalhada, destratada, abusada. Sem nunca ter feito nada, e o pior: sem nunca ter entendido a razão.

Desse em dia em diante, foi como se o episódio nunca tivesse existido. A menina tentou perguntar à tia Tânia, mas às vezes até ficava na dúvida se a tia não tinha ouvido a pergunta. Porque a tia agia como se fosse surda, quando esse assunto era mencionado.
Os coleguinhas também nunca disseram nada. Só respondiam "não sei", com medo.
E a pobre Aline, coitada... Essa não sabia mesmo.

Os anos se passaram, e a menina pôde ver que a tia Tânia foi o primeiro exemplo prático e ilustrativo de uma pessoa ESCROTA, DESPREPARADA, INCAPAZ, FILHA DA PUTA, INCOMPETENTE, SÁDICA, DESEQUILIBRADA, IRRESPONSÁVEL, CRETINA, MAU CARÁTER.
Ou seja, ela foi uma fiel representante da maioria da população mundial, em termos gerais. O que não deixa de ser uma lição.

Apesar de ter sido uma experiência bastante dolorosa - cuja dor da injustiça a menina é capaz de sentir vivamente até hoje, quando recorda o episódio - o que ocorreu foi um excelente exemplo de como o mundo funciona.

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O engraçado é que fiz uma pesquisa pelo nome completo da filha da puta no Google, e encontrei uma página de perfil no Google Profiles que me parece ser dela mesma.
Uma senhora, da idade adequada, com um sorriso estéril. Alourada, como a filha da puta era mesmo (embora eu não me lembre das feições).
Várias mençoes a Deus e ao amor que tem por ele (não me surpreende).
E - quem diria - é do Rio. Tudo casa perfeitamente (lembrando que é um sobrenome BEM incomum).

Tânia K*****r

Hahaha, acho que encontrei a maluca filha da puta. Quem sabe eu não mando um e-mail perguntando POR QUE CARALHOS EU TOMEI UM ESPORRO?

Tem 30 ANOS que eu quero saber essa merda!
Vaca.

Hora do bolo


Recentemente, eu resolvi me aventurar em decoração de bolos. Melhor dizendo: decoração de bolinhos (=cupcakes).

Eu sempre tive TARA por decoração e modelagem de bolos. Na época em que a Ana Maria Brega tinha um programa que passava à tarde numa emissora vagabunda (qual era mesmo?), eu parava meu trabalho o que estivesse fazendo e ia pra frente da TV ver as decorações de bolos. Às vezes a série levava uma semana, indo ao ar cada dia um motivo diferente. Muito legal.

Na época da minha festa de casamento, eu tava numa puta depressão, não queria saber de porra nenhuma dos preparativos. Não escolhi música, comprei o primeiro sapato que não me apertou... Alguém já viu noiva chegar no dia da festa sem ter bouquet? Pois é. Não tava nem um pouco preocupada com isso, cheguei e pedi pro cara que tava arrumando as flores na festa preparar um bouquet pra mim, lá na hora mesmo. Do jeito que saísse tava bom.
A única coisa que eu fiz questão de escolher foi o bolo. Eu tinha visto um bolo uns 3 anos antes, quando nem pensava em casar. Tinha achado tão lindo que jurei que se um dia casasse, ia ter um igual. Aí quando resolvi casar (se arrependimento matasse...), fui lá e desenhei o bolo que eu queria pra doceira.
Não comi, mas ficou lindérrimo.

Daí que eu eu nunca fiz um curso de decoração porque, porra: pra decorar, eu preciso fazer o bolo (dã). E tipos, eu nem gosto de bolo (só de chocolate). E eu não quero trabalhar com bolos. Então eu ia decorar o quê? E pra quê? Ia ficar fazendo bolo pra 30 pessoas à toa, só pra ficar decorando? Tá, eu sou doida mas nem tanto, né.

Quando surgiu a modinha dos cupcakes, eu nem dei muita atenção. Eu achava lindinho e tal, mas a idéia de um muffin papagaiado com chantilly não me enchia os olhos. Tá... Chantilly colorido e tals, mas... Nhé (nunca vi graça em decoração de glacé, acho pobre).
Mas aí começaram a surgir uns cupcakes mais elaborados, com pasta americana, flores, bonequinhos e tal.

Ow, maneiro. Já interessou. Porque aí tem a decoração elaborada, bacana, mas sem a obrigação de ficar fazendo bolos gigantescos e inúteis.
Porque néam... Cupcake é fácil de carregar, de comer, dá pra variar, dá pra fazer pouco/muito, com choc chip, com recheio, de chocolate, de baunilha, dá pra ser do jeito que vc quiser.

Entrei num cursinho, fiz alguns, gostei da brincadeira. Não sei se vai ser um hobby assim tão frequente, porque:
1. Tô podendo ganhar peso não. Tá feia a coisa.
2. Custa dindim, né. Pasta americana aqui, ferramentas pra decorar ali, ingredientes, etc...

Se ainda fosse pra vender, tudo bem. Mas pra jogar dinheiro fora não dá.

Então pode ser algo para ocasiões especiais, etc.
Quem sabe... Se for isso, já justifica o investimento. Porque além de ser um ritual bacana, ainda diverte. E ao contrário de um bolo, que te prende dentro do tema, no cupcake pode-se variar a decoração. Então nunca é boring.

Esses aí tão com o crédito do MP, mas fui que fiz.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Professores ao longo da vida


Todo mundo tem exemplos de professores que influenciaram a gente, de uma maneira ou de outra, né? Aquele professor bacana que conseguiu até fazer vc gostar de uma matéria chata, ou aquele professor cretino que corrigia prova de acordo com o humor, e tirava ponto de quem não gostava.
Como em todas as profissões, tem gente que não é competente, e tem gente que não tem ética.

Aqueles que realmente marcam positivamente, são os que, além de saberem do que falam, gostam do que fazem, são inteligentes, têm talento pra fazer da explicação algo fácil (se puder fazer divertido, melhor).
Porque ser bom professor não é só dominar o assunto, é preciso saber passar o conhecimento adiante de forma que capte o interesse do aluno. E pra isso, eu acho que precisa talento sim.

Tive uma professora que me marcou nesse sentido. Ela era uma senhora, já pelas casa dos 6o anos, indo para os 70. Era sóbria, não era "bem humorada", não era "truta" dos alunos, detestava conversas e interrupções, chamava a atenção dos alunos.
Ela chegava lá, dava a aula dela, sem piadas, sem brincadeiras. Mas explicava maravilhosamente bem. De uma forma simples, completa, que não deixava margem para dúvidas.
Foi a primeira vez que eu comecei a me interessar por história. Que as coisas começaram a fazer sentido. Que os eventos ficaram interessantes, e que eu pude notar que eles aconteciam de forma linear, entender que "causas" e "consequências" não eram apenas 2 listas em lados opostos da página do livro, a serem decoradas.

Nem todo mundo gostava da Professora Rosa, claro. Se vc conversasse durante a aula e fosse criticado ou expulso de sala, vc provavelmente a rotularia de megera. Mas pra quem um dia se deu ao trabalho de prestar atenção ao que ela dizia por 5 minutos, tenho certeza que pensa como eu. Na aula dela eu não fazia questão de piada, de conversar, de nada. Eu só queria ouvir o que ela tinha pra me contar, e depois ficava esperando a aula seguinte, como quem espera o próximo capítulo de uma série bacana.

Um dia ela pediu que a turma (estávamos na 6ª ou 7ª série, não lembro mais) fizesse um desenho: uma tribo de índios. Creio eu que era algum tema idiota passado pelo colégio para o dia do índio, ou algo assim. Cheia de orgulho, eu fiz um puta desenho, todo caprichado e cheio de detalhes.
Pô, eu desenhava bem, todo mundo se impressionava, comentava. E a Professora Rosa nunca havia falado comigo (ela não era dada a essas coisas, rs), e eu não tinha coragem de chegar nela e dizer o quanto eu gostava da aula. Porque eu tenho certeza que a professora Rosa torceria o nariz pra "puxa-saquismo" (imaginem uma nanny inglesa, essa é a imagem que eu faço dela). Então eu vi no desenho a oportunidade de mostrar meu apreço pela aula dela. Se ela fazia um trabalho tão bom explicando, eu faria um trabalho igualmente bom com a tarefa que ela havia passado.

Ela foi passando de mesa em mesa (sim, ela era daquelas que checavam cada aluno individualmente) verificando os desenhos, sem comentar nada, apenas abananando a cabeça como em sinal de "ok, tarefa cumprida" para cada aluno. Quando ela chegou na minha mesa, parou. Olhou pro desenho durante um bom tempo. Eu me enchi de orgulho. E então ela me olhou nos olhos e perguntou:
_o que é isso? _ com um quê de indignação.
Gelei na cadeira. Eu só conseguia pensar no quanto eu havia colocado de dedicação no desenho, cuidado dos detalhes, etc... Por que ela não havia gostado??

_ Isso é um índio americano. Por que vc desenhou um índio americano?
Eu queria responder "ué, porque índio é índio, tanto faz", mas eu sabia que não era uma boa idéia. Além disso, eu também poderia dizer que, no afã de impressioná-la com meus dotes artísticos, escolhi fazer os índios mais enfeitados, com mais detalhes, etc. Porque vamos combinar que uma roupa de franjinhas é mais bacana graficamente que uma tanga, né? Em vez disso, eu fiquei tão decepcionada, meu balão desinflou tão rápido, que eu só consegui balbuciar algo como:
_ Não sei. Achei bonito.

Não sei se ela notou minha decepção, se ficou com pena, whatever... Mas a expressão dela se suavizou na hora, e ela me disse que sim, os índios americanos eram bonitos, mas os brasileiros também. Disse que eu podia desenhar os índios tocando instrumentos na frente da oca, ou andando de canoa no rio, me deu algumas idéias. E lembrou que o desenho era para homenagear o índio do Brasil, por isso não fazia sentido desenhar índios que não os "nossos" (dêem um desconto pros termos do diálogo, o mundo era politicamente incorreto naquela época).

Bastante envergonhada, mas mais calma, eu refiz o desenho e levei pra ela, no final da aula. Ela sorriu e elogiou.

Acho que foi uma dos primeiros exemplos que eu tive de incentivo baseado em reforço positivo, ao invés de reprimenda.
Talvez, um professor "bacana" e amigão da moçada tivesse zoado meu trabalho, me humilhando perante a turma. O que não ia melhorar em nada a minha vontade de continuar o trabalho, muito menos a minha opinião de criança sobre os "nossos" índios. (heh)
No entanto, a professora austera e sem senso de humor, teve sensibilidade pra me corrigir sem me detonar, inclusive sugerindo idéias que eu sozinha nao tive.

Acho que essa foi a única vez que falei com ela assim, diretamente (claro, sem contar dúvidas em sala de aula, etc). Ela não era exatamente uma figura convidativa e maternal, rs. Mas sempre a admirei de longe, e ela foi a responsável por eu gostar de história até hoje.

Da próxima vez eu conto o outro lado, a história da pior lembrança que eu guardo de um(a) professor(a).

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Coisas bobas que me fazem feliz

Inspirada por um texto num blog de uma amiga, lembrei de algo bastante bacana que eu gostava de fazer (acho até que já fiz aqui, há muito tempo): lembrar de pequenas coisas que me deixam contente, just because.

O trecho que me inspirou foi o seguinte:

"Viajar à noite.
E não ir dormindo. Ir acordada, olhando a estrada escura, a lua, as àrvores. Sempre dá uma impressão que estou num filme, é engraçado."

É impressionante como ela traduziu em palavras exatamente o que eu sinto. Eu AMO viajar à noite, e a sensação é essa mesmo: a de estar num filme, numa fantasia... Quase que flutuando sobre a estrada.
Nunca iria imaginar que alguém mais se sentia assim, porque é algo tão estranho, né? Ou pelo menos eu achava.
Pena que já tem algum tempo que eu não posso viajar imersa nesse sentimento e relaxada, porque geralmente estou dirigindo. Venho atenta, tensa. Sinto falta, confesso.


Outras coisas que me deixam contente:

- Tomar sorvete com calda, em casa. Se for sorvete puro, nem ligo, quase não tomo. E também não precisa ser muuuuuuita calda. O bacana é ter aquela sensação de fazer algo diferente (quem toma sorvete com cobertura todo dia???), e se divertir ao ver a calda cair em minhoquinha e os desenhos que ela faz no sorvete…
E curtir a expectativa, tentando adivinhar quanto vai vir em cada colheirada. Encontrar o delicado equilíbrio entre as partes para que no final sobre exatamente a quantidade de calda ideal para a última colher de sorvete. Me sinto com 5 anos de idade!

- Usar meias coloridas ou com estampa de bonequinhos pra dormir. Adoro quando está frio e eu posso usar meia em casa o tempo todo. Rosa, azul, roxa, com desenhos… E meia de dedinhos também!! Tenho uma que é toda listrada, com um dedinho de cada cor. Delícia!

- Chegar num estacionamento e avistar meu carro vermelhinho, lá de longe… Adoro a cor dele!

- Um copo de Coca-Cola ABSURDAMENTE gelado e com muito, muito gás! A coisa mais refrescante que existe.

- Fazer o pé. Parece que vc tira mil quilos de peso de cada pé, fica tudo tão macio, limpinho e leve. Por mim, faria todo dia.

- Cair no sono abraçada com meu amor (mesmo que depois a gente se solte e cada um role prum lado, rs). Parece que o sono vem mais fácil, me sinto aquecida e tranquila.

- Alguém pentear/mexer no meu cabelo. A cabeça vai ficando pesada, e parece que vai ficando tudo em câmera lenta...

- Ligar a TV e pegar um filme bacana bem no comecinho. A gente se sente sortudo com a coincidência.

- Estrear alguma coisa (roupa, sapato, batom, qualquer coisa). É como abrir o presente de novo.

- Usar óculos escuros enormes. Me sinto celebrity.

- Abraçar, pegar no colo, cheirar, beijar e brincar com a Wendy. Como eu amo aquele serzinho, é impressionante!

- Fazer alguém rir. Enche o peito da gente de calor e alegria.

- Viajar. Ver coisas novas. Quando o lugar é legal, mesmo tudo sendo diferente a gente se sente estranhamente em casa.

- Terminar um trabalho e me orgulhar do resultado. A gente até se esquece o esforço que custou.

- Entrar em farmácias e fuçar a seção de shampoos e cosméticos, com todo a calma do mundo, mesmo que eu não leve nada. É como se fosse um showroom VIP só pra mim.

- Comprar um celular novo e configurar ele todinho, sem ler o manual. É o começo de uma nova amizade, eu e ele.

- Usar roupa vermelha. Levanta qualquer astral.

- Usar botas. Me sinto poderosa, quase militar.

- Frozen margaritas de morango. É morango. Tem álcool. É rosa. Perfection.

- Estourar sementinha de Maria-sem-vergonha. É o plástico-bolha da natureza, tem gosto de infância.

- Tomar banho de banheira. Quase um útero.

- Aquele pilequinho de sono que parece que vc vai cair antes de chegar na cama. Quase como voar.

- Ver uma joaninha. Joaninhas me parecem felizes e simpáticas. E têm bolinhas!!


:)