segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Quero um tênis COMUM, caralho!

Enganada pelo sol no começo da manhã, eu, toda pimpona, fui trabalhar de tamanco. Meia hora depois de chegar no trabalho, meu frio no pé era tanto que, se alguém chegasse barganhando, talvez eu desse um braço por uma meia.

Hora de almoço. Puta da vida, resolvo ir ao shopping comprar um tênis. Já tava precisando de um, mesmo, e vinha enrolando.

Ando de loja em loja, e só encontro tênis pra mulher no estilo sapatilha (como se eu fosse usar algo com menos de 2 cm de sola), peças esdrúxulas com dourado, cor de abóbora radioativo e com solas cheias de buracos (impossível achar um tênis normal hoje em dia, tipo branco com detalhes em azul marinho), ou coisas azul (ou rosa) bebê.

Porra, vi um tênis da Puma, maneiro, meio "urban style", e tal... Vermelho e branco. De couro (outra raridade), não de plástico. Show. Fui pedir, era pra homem. Começava do número 39. "Tem esse aqui, que é o feminino", diz a vendedora. Rosa-bebê. Ou azul-bebê. De camurça, ainda por cima, que á pra encardir bem logo na primeira vez que usar.

É definitivo: mulheres não podem, de acordo com a indústria mundial de tênis, usar vermelho. Ou azul-marinho. A menos que essas cores venham combinadas com prateado, verde-limão e roxo - tudo no mesmo tênis - com solas transparentes e cheias de molas ou buracos.

Pois bem. Entrei na Centauro (ODEIO essa loja) e resolvi pedir o mais simples e barato que eu achei (não dou 500 pratas num tênis nem fudendo): Um Reebok de nylon, com o mínimo de detalhes de plástico possível, com o mínimo de prateado possível, com detalhes em azul marinho e um quase nada de lilás. A sola era transparente, mas bem pouco. E com buracos discretos (saudades dos solados de espuma, estilo tênis de corrida antigo). No final das contas, até que, com boa vontade, pode-se dizer que é bonitinho.

O carinha que tava me atendendo foi cagar, bater umazinha, sei lá. Sumiu (pra variar). Fui pedir ajuda a um outro vendedor que estava perto. Como eu não olho pra cara das pessoas (nunca sei quem é o "meu" vendedor), só vi que havia algo estranho quando o cara respondeu. Tinha síndrome de down.

Pensei “caralho, tinha que ser comigo. Tinha que ser hoje.” Mas aí, com uma pontada de culpa, eu pensei “porra, deixa de ser escrota e preconceituosa, né. Nego vai achar que vc é uma animal sem coração. Deixa o cara te atender. Seja paciente”. Expliquei o que eu queria, o carinha disse que ia pegar. Beleza.

Passam-se uns 15 minutos. Mais 5. Volta o cara, segurando o mesmo pé de tênis com que saiu: “Tem sim”.
“Tem sim, o quê?”, perguntei, cautelosa.
“Tem o tênis que a senhora quer, sim”.
Eu, muito calmamente, perguntei “ e por que vc não trouxe?”
Sem resposta.

Aí eu perdi minha paciência, virei as costas e fui procurar o cagão. Disse que tava com pressa. E as meninas do trabalho (2 foram me acompanhar) ficaram me olhando como se um fosse um monstro.

Apaporra, né. Depois eu que levo comida de rabo por chegar atrasada no trabalho, mas tenho que ser politicamente correta.
Nada contra empregar pessoas com deficiência, mas que isso não custe em qualidade de serviço ao cliente.

Resultado: comprei um tênis marromenos, gastei 200 contos, cheguei atrasada de volta no trabalho, e o tempo esquentou durante a tarde.

Taquiuspa.





Por que eu não consigo achar um assim?


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