quarta-feira, 21 de dezembro de 2005
Considerações sobre a beleza e a inteligência
"Você se acha bonita?"
Uma vez me perguntaram isso, e eu desconversei. Não ia dizer "não", mas achei que não pegava bem responder "sim". Hoje, me perguntaram a mesma coisa. E quer saber? Desta vez eu respondi que sim. Por que não? Haveria eu de mentir ou ter vergonha?
Muita gente acha arrogância, até mesmo falta de educação, admitir algo assim. Só porque se trata de algo considerado fútil. Não vejo essas pessoas criticando, por exemplo, quem se considera inteligente. Por que a vaidade é permitida para quem se orgulha do intelecto, mas não da aparência?
Na prática, vejo as duas características - beleza e inteligência - como motivo de satisfação. Uma independe da outra, portanto não as percebo como antagonistas. Justamente por isso, utilizo esse exemplo. O argumento de que "é melhor ser inteligente do que belo" é freqüentemente usado, reforçando a idéia de que essas qualidades têm alguma relação.
Se a beleza é relativa, a inteligência também é. Porque ninguém julga beleza ou inteligência, no dia-a-dia, baseado num parâmetro inquestionável. Você faz seu julgamento pessoal, que é moldado através da sua percepção. Certos tipos de aparência podem agradar a uma pessoa e não a outra, e certos tipos de raciocínio e sabedoria também.
Eu me acho bonita, sim. Lógico que há dias em que olho no espelho e me acho digna de pena. Assim como me considero uma pessoa inteligente e, no desempenho de determinadas tarefas, não me acho muito mais esperta do que um tapir.
Eu admiro a beleza nas suas mais variadas formas. Acho que o ser humano não sabe viver sem apreciar o belo. O que ele considera belo, aí já é outra conversa.
A inteligência, na minha opinião, é uma forma de beleza. Me fascina a maneira como alguém argumenta, o senso de humor indireto, o sarcasmo, a cultura. Isso vai, muito mais do que qualquer outra coisa, determinar minha atração por um homem, por exemplo.
Você pode, a partir disso, mostrar a "incoerência" do meu texto e afirmar que, então, a inteligência tem precedência sobre a beleza. Apesar de não serem características relacionadas, não disse que não considero uma mais importante do que a outra. Mas nenhuma delas é dispensável. Um homem não me atrairia, por mais inteligente que fosse, caso sua figura não fosse capaz de me despertar o desejo.
Alguns vêem na apreciação do que é belo a futilidade de uma sociedade que busca a perfeição estética. Eu vejo a beleza como coadjuvante, uma benesse. E decidi que não vou mais sentir vergonha de dizer que gosto da minha aparência.
A passagem do tempo favorece o acúmulo de conhecimento, mas aos poucos rouba a juventude, "fonte" da beleza digna de admiração, outrora objeto de poder. Não sou mais tão novinha, nem tão magra, nem sou mais o que se considera "padrão". Resumindo: já não sou tão bonita como antes; mas, curiosamente, hoje gosto muito mais de mim, me aceito mais.
Talvez eu esteja mais sábia.
quarta-feira, 30 de novembro de 2005
O medo e certas descobertas
Talvez eu já tenha escrito algo sobre esse assunto aqui, não tenho certeza e não estou a fim de procurar. Mas acho que, se mencionei, foi por alto. Então vou elaborar:
Todo mundo tem medo. E todo mundo detesta essa sensação, tem medo de sentir medo.
Sei lá. Até pouco tempo atrás, o medo me impedia de fazer as coisas. Eu ficava apavorada, insone, pensando no que eu tinha medo que acontecesse. Na merda que ia ser a minha vida caso meu medo se concretizasse. Por causa dessa atitude, acho que posso não ter aproveitado 100% das coisas e situações que eram legais, por pensar nas maneiras que existiam de elas darem errado.
Eu também deixava de tentar coisas novas, de me "aventurar", digamos assim, por medo. Medo de que? Sei lá. De me magoar, de fracassar, de decepcionar os outros. Mesmo quando havia uma grande probabilidade de sucesso, era no fracasso que eu pensava. Isso, em parte, vem do meu pessimismo (que acredita que surpresas agradáveis são melhores que as desagradáveis, e por isso é melhor a gente estar sempre preparado para o pior). E em parte vem da criação que eu recebi, onde a segurança e a menor margem de erro possível são supervalorizadas.
Enfim. Hoje eu tô vivendo dentro de um dos cenários dos meus medos: outra cidade, sem emprego fixo, longe da família e dos amigos de longa data. E tô bem. Melhor do que eu esperava.
Claro que fiz novos amigos, com quem posso contar (dei sorte). E claro que meu namorado me apóia no que pode, a fim de facilitar ao máximo a adaptação e suprir qualquer carência que venha a surgir. Mas a verdade é que quase nada é tão difícil ou tão ruim quanto a gente imagina, e essa é a maior descoberta que eu fiz nos últimos tempos.
Trabalhar sozinha não é tão fácil, mas também não é horrível. Fiquei nervosa no começo, na primeira vez que encarei um projeto sozinha; mas consegui fazer. E sem pedir ajuda a ninguém. E pronto: um monstro foi abatido.
Já ando de carro pra lá e pra cá por São Paulo, e aprender não foi tão complicado quanto eu imaginei que seria. Na verdade, foi até divertido. Outro monstro que se foi.
Um monstro que metia muito medo era a saudade da família. Esse é mais resistente, e às vezes vem puxar o pé da gente de noite. Mas dá para conviver. Afinal, não estou tão longe assim. Se a saudade aperta demais, é hora de viajar.
Mas uma das descobertas mais legais, veio de repente. Eu tinha muito medo de ser comparada aos outros. De não ser tão competente, tão culta, tão justa, tão boa, etc. etc. E, ao mudar minha maneira de viver e ao me relacionar (e observar) pessoas diferentes, eu vi que:
1. Eu não sou píor que ninguém, e que as pessoas costumam ter boas opiniões a meu respeito. Melhores que as minhas prórias.
2. Eu superestimava certas pessoas. Elas são de carne e osso, e têm tantos ou mais defeitos que eu.
Todo mundo tem medo. E todo mundo detesta essa sensação, tem medo de sentir medo.
Sei lá. Até pouco tempo atrás, o medo me impedia de fazer as coisas. Eu ficava apavorada, insone, pensando no que eu tinha medo que acontecesse. Na merda que ia ser a minha vida caso meu medo se concretizasse. Por causa dessa atitude, acho que posso não ter aproveitado 100% das coisas e situações que eram legais, por pensar nas maneiras que existiam de elas darem errado.
Eu também deixava de tentar coisas novas, de me "aventurar", digamos assim, por medo. Medo de que? Sei lá. De me magoar, de fracassar, de decepcionar os outros. Mesmo quando havia uma grande probabilidade de sucesso, era no fracasso que eu pensava. Isso, em parte, vem do meu pessimismo (que acredita que surpresas agradáveis são melhores que as desagradáveis, e por isso é melhor a gente estar sempre preparado para o pior). E em parte vem da criação que eu recebi, onde a segurança e a menor margem de erro possível são supervalorizadas.
Enfim. Hoje eu tô vivendo dentro de um dos cenários dos meus medos: outra cidade, sem emprego fixo, longe da família e dos amigos de longa data. E tô bem. Melhor do que eu esperava.
Claro que fiz novos amigos, com quem posso contar (dei sorte). E claro que meu namorado me apóia no que pode, a fim de facilitar ao máximo a adaptação e suprir qualquer carência que venha a surgir. Mas a verdade é que quase nada é tão difícil ou tão ruim quanto a gente imagina, e essa é a maior descoberta que eu fiz nos últimos tempos.
Trabalhar sozinha não é tão fácil, mas também não é horrível. Fiquei nervosa no começo, na primeira vez que encarei um projeto sozinha; mas consegui fazer. E sem pedir ajuda a ninguém. E pronto: um monstro foi abatido.
Já ando de carro pra lá e pra cá por São Paulo, e aprender não foi tão complicado quanto eu imaginei que seria. Na verdade, foi até divertido. Outro monstro que se foi.
Um monstro que metia muito medo era a saudade da família. Esse é mais resistente, e às vezes vem puxar o pé da gente de noite. Mas dá para conviver. Afinal, não estou tão longe assim. Se a saudade aperta demais, é hora de viajar.
Mas uma das descobertas mais legais, veio de repente. Eu tinha muito medo de ser comparada aos outros. De não ser tão competente, tão culta, tão justa, tão boa, etc. etc. E, ao mudar minha maneira de viver e ao me relacionar (e observar) pessoas diferentes, eu vi que:
1. Eu não sou píor que ninguém, e que as pessoas costumam ter boas opiniões a meu respeito. Melhores que as minhas prórias.
2. Eu superestimava certas pessoas. Elas são de carne e osso, e têm tantos ou mais defeitos que eu.
segunda-feira, 28 de novembro de 2005
Meus males
Ok, eu devo estar ficando velha. Ou devo estar com baixa imunidade. Ou devo estar estressada demais. Ou simplesmente tenho o que todo mundo tem, mas sou tão fresca que só eu me incomodo com essas coisas.
Já tem uns 10 anos que eu não durmo bem, mas ultimamente tem estado pior. Desde que me mudei, não me adaptei aos novos barulhos, à rotina da nova casa, à cama de solteiro. Tem alguns meses que eu não durmo direito, com exceção de alguns dias isolados, quando eu não estava isolada. Long story.
Dor de cabeça, ah, a dor de cabeça! Grande companheira minha, essa. Eu já fui ao oculista (tá, oftalmologista), já fiz eletro, já fui ao neurologista, já parei de tomar um remédio que eu precisava. Deu uma melhorada, mas ela voltou. Já tentei fazer uma associação entre as fases do ciclo menstrual e, inicialmente, parecia haver uma relação. Mas nah, foi um decoy. Absolutamente sem causa aparente. Então, é claro, a gente põe na conta do tão culpado stress.
Tive umas 3 gripes seguidas, com intervalo de poucas semanas entre elas. O pior é que não tinha ninguém gripado em casa, nem nos lugares que eu freqüento. Só eu, e EU que passei a gripe pros outros. A merda é que eu perdi meu recorde de sei-lá-quantos anos sem gripe. Saco.
Nem vou falar da minha pele, porque ela está calma essa semana. Vai que ela se irrita... Ela é temperamental, melhor deixar quieto.
Ah, sim. Agora dei para ter falta de ar e asma, depois de uns 7 anos sem nem saber o que é isso. Pelo menos eu meto xarope pra dentro, e mantenho sob controle. Às vezes o xarope dá uma tremedeira, se você não tomar cuidado e exagerar um pouco na dose. Sinistro, mas maneiro.
As dores nas costas e no pescoço são café-com-leite, porque sempre as senti. Claro, continuam aqui.
Hm, acho que é isso.
O legal de você reclamar num blog que está às moscas, é que não vem nenhum pentelho dizer que você tem tudo na vida e que reclama de barriga cheia. Foda-se, este espaço é meu e eu posso ser chata e resmungona o quanto eu quiser.
Rambling...
Em primeiro lugar, peço desculpas pelo post meio sem propósito, mal amarrado. Mas é a primeira vez que escrevo aqui, depois de um tempão... E apenas estou escrevendo o que vou pensando e sentindo.
Muita coisa mudou na minha vida no ano de 2005. Foi um período muito difícil. Houve sofrimento, houve aprendizado, houve decepção, houve surpresa, e houve também felicidade. Mais do que nunca, eu vi que é preciso lutar pela felicidade, que as coisas têm um preço. Até então, tudo sempre tinha vindo de graça pra mim, ou me custado muito pouco.
De alguma forma, eu hoje acho que sou uma pessoa melhor e mais completa, mais preparada para entender e apreciar o valor das coisas. O que é importante para mim, nunca mais vai escorrer pelos meus dedos.
O ano está acabando, finalmente. Em 2006, começa uma nova fase. Vou dar um rumo para a minha vida, cuidar de mim mesma. E cuidar de outra pessoa. Uma pessoa especial, um anjo caído do Céu que aterrissou no meu colo.
Os anjos tomam conta da gente, resolvem todos os problemas. Estão sempre alerta, não podem relaxar. Ninguém se lembra que anjos têm necessidades, e também sentem cansaço e solidão... Mas eu lembro. E vou cuidar do meu pra sempre.
Que acabe logo esse ano que eu nunca vou esquecer, e comece o novo.
Underneath your clothes - Shakira
You're a song
Written by the hands of God
Don't get me wrong 'cause
This might sound to you a bit odd
But you own the place
Where all my thoughts go hiding
Right under your clothes
Is where I'll find them
Underneath your clothes
There's an endless story
There's the man I chose
There's my territory
And all the things, I deserve
For being such a good girl, honey.
'Cause of you
I forgot the smart ways to lie
Because of you
I'm running out of reasons to cry
When the friends are gone
When the party's over
We will still belong to each other
Underneath your clothes
There's an endless story
There's the man I chose
There's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl, honey
Underneath your clothes
There's an endless story
There's the man I chose
That's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl
For being such a hey,hey,hey,hey
I love you more than all that's on the planet
Movin' talkin' walkin' breathing,
You know it's true
Oh baby it's so funny
You almost don't believe it
As every voice is hanging from the silence
lamps are hanging from the ceiling,
Like a lady tied to her manners
I'm tied up to this feeling.
Underneath your clothes
There's an endless story
There's the man I chose
That's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl, honey.
Underneath your clothes, Ah wha ho oh woah!
There's the man I chose
That's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl
For being such a good girl.
Muita coisa mudou na minha vida no ano de 2005. Foi um período muito difícil. Houve sofrimento, houve aprendizado, houve decepção, houve surpresa, e houve também felicidade. Mais do que nunca, eu vi que é preciso lutar pela felicidade, que as coisas têm um preço. Até então, tudo sempre tinha vindo de graça pra mim, ou me custado muito pouco.
De alguma forma, eu hoje acho que sou uma pessoa melhor e mais completa, mais preparada para entender e apreciar o valor das coisas. O que é importante para mim, nunca mais vai escorrer pelos meus dedos.
O ano está acabando, finalmente. Em 2006, começa uma nova fase. Vou dar um rumo para a minha vida, cuidar de mim mesma. E cuidar de outra pessoa. Uma pessoa especial, um anjo caído do Céu que aterrissou no meu colo.
Os anjos tomam conta da gente, resolvem todos os problemas. Estão sempre alerta, não podem relaxar. Ninguém se lembra que anjos têm necessidades, e também sentem cansaço e solidão... Mas eu lembro. E vou cuidar do meu pra sempre.
Que acabe logo esse ano que eu nunca vou esquecer, e comece o novo.
Underneath your clothes - Shakira
You're a song
Written by the hands of God
Don't get me wrong 'cause
This might sound to you a bit odd
But you own the place
Where all my thoughts go hiding
Right under your clothes
Is where I'll find them
Underneath your clothes
There's an endless story
There's the man I chose
There's my territory
And all the things, I deserve
For being such a good girl, honey.
'Cause of you
I forgot the smart ways to lie
Because of you
I'm running out of reasons to cry
When the friends are gone
When the party's over
We will still belong to each other
Underneath your clothes
There's an endless story
There's the man I chose
There's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl, honey
Underneath your clothes
There's an endless story
There's the man I chose
That's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl
For being such a hey,hey,hey,hey
I love you more than all that's on the planet
Movin' talkin' walkin' breathing,
You know it's true
Oh baby it's so funny
You almost don't believe it
As every voice is hanging from the silence
lamps are hanging from the ceiling,
Like a lady tied to her manners
I'm tied up to this feeling.
Underneath your clothes
There's an endless story
There's the man I chose
That's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl, honey.
Underneath your clothes, Ah wha ho oh woah!
There's the man I chose
That's my territory
And all the things I deserve
For being such a good girl
For being such a good girl.
terça-feira, 19 de julho de 2005
quinta-feira, 7 de julho de 2005
The Gods may throw a dice...
...Their minds as cold as ice
And someone way down here
Loses someone dear
Em algum momento, na minha insignificante existência, eu irritei os Deuses. Devo ter feito algo muito sério. Agora, o que eu vivo, é conseqüência da minha maldade e desobediência.
Primeiro, eu fui negligente. Depois, eu fui imprudente. Primeiro, eu deixei morrer. Depois, eu acreditei que um recém-nascido podia caminhar com as próprias pernas. Primeiro, minha arrogância impediu de resgatar. Depois, mesmo despida de todo o orgulho, eu nada pude.
Agora, é viver um dia após o outro, como uma formiga operária. Acordar, fazer tudo no automático, voltar a dormir. Repetir tudo, eternamente, como um CD no repeat.
Para o lado oposto, que ironicamente admirei e com o qual inexplicavelmente sempre simpatizei, fica minha congratulação pela presença de espírito de fazer algo que eu sequer tentei, quando passei pela mesma situação. Tivesse tentado, poderia ser eu a salvar algo.
Mas não era meu destino. Não sei qual é o meu destino, mas não parece ser a felicidade. Essa eu tinha em minhas mãos até pouco tempo. Pensando bem, acho que nunca foi realmente minha, estava apenas emprestada.
Não posso dizer que foi uma surpresa. Eu sabia que podia acontecer, sempre soube. Até verbalizei uma vez, mas me deixei ser convencida pela sweet talk, pelo que eu queria ouvir. Fui avisada, mas coloquei no fundo da minha mente, pois o aviso veio de alguém que não me conhecia e eu deixei que isso lhe tirasse o valor.
Azar o meu, menina que quer o que não pode ter. Bem-feito para mim.
Se tudo serviu para alguma coisa, eu agora acho que creio em Deus. E meu pai tem razão, a Internet é o demônio. Destruiu minha vida, pelo menos. Para sempre, de forma irremediável.
Para quem gosta de mim, ou para quem simplesmente passa por aqui:
Seja você amigo ou "inimigo", conhecido meu ou de amigos meus, ou apenas um leitor anônimo deste blog... Por favor deixe seu comentário. Dê sua opinião, fale o que tiver vontade, deixe-me saber o que você pensa, o porque de ler estes textos.
É o meu último post, e em poucos dias este blog não mais existirá. Queria partir sabendo um pouco mais de vocês.
Abraço,
Milena
And someone way down here
Loses someone dear
Em algum momento, na minha insignificante existência, eu irritei os Deuses. Devo ter feito algo muito sério. Agora, o que eu vivo, é conseqüência da minha maldade e desobediência.
Primeiro, eu fui negligente. Depois, eu fui imprudente. Primeiro, eu deixei morrer. Depois, eu acreditei que um recém-nascido podia caminhar com as próprias pernas. Primeiro, minha arrogância impediu de resgatar. Depois, mesmo despida de todo o orgulho, eu nada pude.
Agora, é viver um dia após o outro, como uma formiga operária. Acordar, fazer tudo no automático, voltar a dormir. Repetir tudo, eternamente, como um CD no repeat.
Para o lado oposto, que ironicamente admirei e com o qual inexplicavelmente sempre simpatizei, fica minha congratulação pela presença de espírito de fazer algo que eu sequer tentei, quando passei pela mesma situação. Tivesse tentado, poderia ser eu a salvar algo.
Mas não era meu destino. Não sei qual é o meu destino, mas não parece ser a felicidade. Essa eu tinha em minhas mãos até pouco tempo. Pensando bem, acho que nunca foi realmente minha, estava apenas emprestada.
Não posso dizer que foi uma surpresa. Eu sabia que podia acontecer, sempre soube. Até verbalizei uma vez, mas me deixei ser convencida pela sweet talk, pelo que eu queria ouvir. Fui avisada, mas coloquei no fundo da minha mente, pois o aviso veio de alguém que não me conhecia e eu deixei que isso lhe tirasse o valor.
Azar o meu, menina que quer o que não pode ter. Bem-feito para mim.
Se tudo serviu para alguma coisa, eu agora acho que creio em Deus. E meu pai tem razão, a Internet é o demônio. Destruiu minha vida, pelo menos. Para sempre, de forma irremediável.
Para quem gosta de mim, ou para quem simplesmente passa por aqui:
Seja você amigo ou "inimigo", conhecido meu ou de amigos meus, ou apenas um leitor anônimo deste blog... Por favor deixe seu comentário. Dê sua opinião, fale o que tiver vontade, deixe-me saber o que você pensa, o porque de ler estes textos.
É o meu último post, e em poucos dias este blog não mais existirá. Queria partir sabendo um pouco mais de vocês.
Abraço,
Milena
sábado, 2 de julho de 2005
Tchau
Tenho um hábito desde pequena: quando estou viajando, ao deixar um lugar do qual gostei, dou um "tchau", às vezes em silêncio, outras vezes até mesmo em voz alta. Um tchau para os lugares que visitei, para as coisas que vi, para as pessoas que conheci.
Inúmeras vezes disse "tchau, Búzios, até a próxima". É um ritual que amenizava o fim de uma temporada legal, já que nunca gostei de despedidas. É, eu não gosto de me despedir nem de lugares e coisas.
Dessa vez, eu estou dizendo um tchau definitivo. São coisas que eu não vou ver mais, um lugar que não é mais meu. Coisas que eu ajudei a escolher, lugar que eu arrumei do meu jeito.
Já chorei por ter de deixá-los, mas não mais. A gente anda pra frente, e eu prometi a mim mesma (e a mais alguém) que não vou mais olhar pra trás.
No entanto, rendo uma última homenagem a essas coisas que me fizeram companhia por tanto tempo, e que para a maioria das pessoas não significam nada (talvez eu seja materialista demais):
Tchau para a minha cama gigantesca, e para o meu banheiro cheio de espelhos. Tchau para o meu chão de parquet paulista, que deu um trabalhão para clarear e ficar cor de mel. Tchau para o meu armário, onde cabiam todos os meus sapatos. Tchau para o meu sofá, que já está marcado e amaciado no lugar onde eu gostava de deitar. Tchau para a minha parede mostarda, que todo mundo disse, quando eu escolhi a cor, que eu era maluca e que depois de pronta todo mundo gostou.
Tchau para a árvore em frente à minha varanda, que me deixava andar pelada pela casa sem ninguém me ver.
Tchau para a Elvis, que rói tudo que é fio, e que esta semana roeu o cabo da NET, mas que adora cafuné. E tchau para o Pouca Coisa, que também não vai com a mamãe, apesar da carinha linda.
Tchau para o Deri, que resolvia um monte de pepino e deixava meus convidados pararem na garagem. E tchau para o Antônio, que lavava meu carro com cuidado.
Tchau para a Idália, que é mais do que uma empregada, é uma segunda mãe (um dia vou te buscar, você ainda vai trabalhar comigo de novo).
Tchau para o shopping, que era uma merda e hoje em dia tá até legalzinho. Tchau para a farmácia da rua, que apesar de cara pra cacete, vendia remédio sem receita. Tchau para o salão de beleza, que, apesar dos preços exorbitantes, tinha uma menina que fazia uma unha supimpa.
E tchau para a Gávea. De tudo na lista, é justamente do que eu não vou sentir falta. Apesar de ser considerado uma das melhores qualidades de vida do Rio, não acho graça nesse bairro.
Trânsito demais, barulho demais, gente demais concentrada. Um bairro comum, mas que os moradores encaram como se fosse o Paraíso na Terra. Nem longe demais da praia, nem perto o suficiente. Muito ônibus na rua, sem metrô, meio contramão para arrumar condução para qualquer lugar. Estacionamento então, nem pensar. Bairro que também serve de acesso e passagem, de prédio grudado um no outro. E onde falta luz direto.
Tchau pra você, Gávea.
Phase III begins.
domingo, 26 de junho de 2005
O pobre e o carro
O pobre tem uma relação especial com seu carro. Parte da demonstração de amor e cuidado com esse objeto inclui sua personalização, de maneira descaracterizá-lo totalmente, tornando-o tão diferente quanto possível do que era ao deixar a fábrica, em tempos longínquos.
Essa personalização inclui, em 10 de 10 casos, filme no vidro. O mais negro possível, claro. Daqueles que não deixam você ver o que tem dentro, nem o pobre ver o que tem fora. Ou seja, daqueles tipos de insulfilm que só tornam possível que se trafegue durante o dia, em dias ensolarados. Isso mesmo: por isso que você vê muito esse tipo de veículo na orla, no fim de semana.
Ah, um detalhe: o ideal é quando a cor do veículo contrasta com a negritude do filme, como acontece, por exemplo, em carros brancos, vermelhos, dourados, etc.
Outro acessório do carro tunado de pobre (atenção para o pleonasmo) é o aerofólio, peça indispensável para quem quer enfeiar o carro e ao mesmo tempo gastar mais combustível.
Rebaixar o automóvel também é uma medida muito popular. Assim como o escapamento barulhento, para parecer que o carro tem "turbo", saca? Para o pobre, passar dentro de túnel é um sonho, pois ele consegue incomodar um maior número de pessoas.
Aliás, incomodar o máximo de pessoas é um objetivo constante do pobre que investe suas economias no carro. Ele pode estar com o nome sujo na praça, estar sem emprego, sem mulher, o escambau. Mas o verdadeiro pobre amante de carro gasta sua graninha num sistema "animal" de som.
Ele gosta de se exibir em sinais fechados, ou passar devagarinho por algum point que não tem cacife para freqüentar. Com o som no máximo volume e o carro (o dele e o dos outros) vibrando, o pobre atinge o auge da felicidade.
Nota: é impressionante como, nesses casos, invariavelmente a potência do som é inversamente proporcional à qualidade da música ouvida.
Por fim, é necessário que o pobre e seus companheiros possam identificar seu veículo de longe e, para isso, adesivos de lataria (se forem religiosos, melhor) e penduricalhos de espelho são ideais.
Essa personalização inclui, em 10 de 10 casos, filme no vidro. O mais negro possível, claro. Daqueles que não deixam você ver o que tem dentro, nem o pobre ver o que tem fora. Ou seja, daqueles tipos de insulfilm que só tornam possível que se trafegue durante o dia, em dias ensolarados. Isso mesmo: por isso que você vê muito esse tipo de veículo na orla, no fim de semana.
Ah, um detalhe: o ideal é quando a cor do veículo contrasta com a negritude do filme, como acontece, por exemplo, em carros brancos, vermelhos, dourados, etc.
Outro acessório do carro tunado de pobre (atenção para o pleonasmo) é o aerofólio, peça indispensável para quem quer enfeiar o carro e ao mesmo tempo gastar mais combustível.
Rebaixar o automóvel também é uma medida muito popular. Assim como o escapamento barulhento, para parecer que o carro tem "turbo", saca? Para o pobre, passar dentro de túnel é um sonho, pois ele consegue incomodar um maior número de pessoas.
Aliás, incomodar o máximo de pessoas é um objetivo constante do pobre que investe suas economias no carro. Ele pode estar com o nome sujo na praça, estar sem emprego, sem mulher, o escambau. Mas o verdadeiro pobre amante de carro gasta sua graninha num sistema "animal" de som.
Ele gosta de se exibir em sinais fechados, ou passar devagarinho por algum point que não tem cacife para freqüentar. Com o som no máximo volume e o carro (o dele e o dos outros) vibrando, o pobre atinge o auge da felicidade.
Nota: é impressionante como, nesses casos, invariavelmente a potência do som é inversamente proporcional à qualidade da música ouvida.
Por fim, é necessário que o pobre e seus companheiros possam identificar seu veículo de longe e, para isso, adesivos de lataria (se forem religiosos, melhor) e penduricalhos de espelho são ideais.
domingo, 19 de junho de 2005
Botafogo
Ok, eu tô agora trabalhando em Botafogo. Eu poderia dizer que, por causa disso, eu odeio ir a Botafogo. Mas a verdade é que eu já odiava Botafogo antes mesmo de ter qualquer vínculo (ainda mais um desagrável, como o trabalho) com aquele lugar.
Botafogo é um bairro escroto. Simplesmente isso. É na Zona Sul, mas parece que é na... Hm... Eu diria Zona Norte, mas seria sacanagem com a Zona Norte. Eu já morei na Zona Norte, e lá era legal. Pode até não ser "Ipanema-Leblon-Gávea" legal, mas ainda assim legal. E Botafogo não é.
Eu ando uns 2 quarteirões pra ir do estacionamento ao trabalho, e uns 3 para ir até o restaurante da hora do almoço. O que tem de gente estranha, mendigo, boteco, oficina, feira e barraca disso e daquilo na rua, é brincadeira.
Sem contar que em Botafogo é default levar o cachorro pra cagar na calçada. Não no canteiro, no meio-fio, ou na rua. Mas no MEIO da calçada, mesmo. Tem uma rua lá que é merda de cachorro do começo ao fim, tudo espalhado na calçada, como um patê numa fatia de pão.
Putaqueopariu. Eu odeio aquele lugar. Até o shopping é uma merda.
Botafogo é um bairro escroto. Simplesmente isso. É na Zona Sul, mas parece que é na... Hm... Eu diria Zona Norte, mas seria sacanagem com a Zona Norte. Eu já morei na Zona Norte, e lá era legal. Pode até não ser "Ipanema-Leblon-Gávea" legal, mas ainda assim legal. E Botafogo não é.
Eu ando uns 2 quarteirões pra ir do estacionamento ao trabalho, e uns 3 para ir até o restaurante da hora do almoço. O que tem de gente estranha, mendigo, boteco, oficina, feira e barraca disso e daquilo na rua, é brincadeira.
Sem contar que em Botafogo é default levar o cachorro pra cagar na calçada. Não no canteiro, no meio-fio, ou na rua. Mas no MEIO da calçada, mesmo. Tem uma rua lá que é merda de cachorro do começo ao fim, tudo espalhado na calçada, como um patê numa fatia de pão.
Putaqueopariu. Eu odeio aquele lugar. Até o shopping é uma merda.
quarta-feira, 1 de junho de 2005
Faça o que eu digo, não faça o que eu faço!
Adoro discursos inflamados sobre hipocrisia, de gente hipócrita.
Piro com relatos sobre a importância da generosidade, por gente mesquinha.
Gozo, só de ver o valor da honestidade ressaltado por gente corrupta.
Fico extasiada quando a lealdade é valorizada por gente desleal.
Poderia continuar, por páginas e páginas... Afinal, é assim desde que o mundo é mundo, não?
Todos juntos, agora: um grande FODA-SE para coerência!!! Êêêêêêê... \o/
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